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Penápolis, 20/08/2008

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     Antes da criação da CORPE, existiam aproximadamente 35 pessoas com suas famílias, incluindo crianças, que viviam catando e separando o lixo domiciliar que era descarregado dos caminhões de lixo no aterro sanitário do município de Penápolis (SP). Estas pessoas, além de permanecerem em área proibida, trabalhavam no lixo sem nenhum equipamento de proteção e sem condições de higiene, ficando em contato direto com o lixo e também com animais como urubus e ratos, portanto, sem nenhuma imunidade contra doenças contagiosas. A situação destas pessoas era degradante, chegando ao fato de comer diariamente os restos de alimentos encontrados no lixo e disputando-os com os animais que se encontravam no local.

 

     Outro agravante da situação existente era o fato de que, devido às condições sub-humanas que se encontravam estas pessoas, o ambiente em que viviam tornaram-as vulneráveis para envolver-se mais facilmente com drogas, alcoolismo, prostituição e outros. Esta era a realidade vivida rotineiramente na vida destas pessoas. 

 

     O sustento destas pessoas era proveniente da venda do material reciclado retirado do lixo, o qual era comprado clandestinamente por pessoas que ficavam nas proximidades externas do aterro sanitário esperando pelo material. Devido à falta de recursos financeiros para suas sobrevivência, os catadores de lixo freqüentemente pegavam “vales" com os compradores, ficando comprometidos a entregar o lixo reciclado antes mesmo de ter sido separado. Isto se tornou um problema cíclico pois os catadores não conseguiam viver sem estes “vales“.

 

     A presença dos catadores de lixo no aterro sanitário do município propiciava outro problema para o poder público municipal, pois estas pessoas viviam em área de alto risco e estritamente proibida pela legislação ambiental em vigor, acarretando num problema técnico. Além de dificultar a operacionalização dos serviços na área, os catadores estavam em área proibida e a CETESB, órgão responsável pela fiscalização e controle dos resíduos sólidos do município, classificava o aterro sanitário com baixa pontuação em seu inventário estadual efetuado anualmente.

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